A PCH Pesqueiro

A Pequena Central Hidrelétrica PESQUEIRO

Alguns dados técnicos sobre o projeto

A Pequena Central Hidrelétrica PESQUEIRO, no Rio Jaguariaíva, está na região norte da sede municipal de Jaguariaíva, estado do Paraná. Sua barragem está nas coordenadas 22J 637783,73 W e 7330350,06 S, onde algumas corredeiras do rio propiciaram condições favoráveis para o aproveitamento do seu potencial hidrelétrico. O empreendimento está a 65 Km da foz do Jaguariaíva no rio Itararé, um afluente do rio Paranapanema, pertencente à grande bacia do rio Paraná. 

Esta PCH tem uma potência instalada de 12,44 MW.  É formada por uma barragem de concreto a gravidade de 107,00m de comprimento e 12,00m de altura total, represando as águas na cota de elevação 704,70m, com operação em regime de fio d’água. A barragem tem em sua crista, o vertedouro de soleira livre, com capacidade de vertimento de 2.051 m³/s, suficiente para a vazão decamilenar (TR 10.000 anos). 

Seu reservatório tem 0,33km2, na cota 704,70m acima do nível do mar. Na barragem as águas são desviadas por meio de um canal de aproximação de 260m até o túnel adutor de 839,00m. Saindo deste (desemboque) as águas percorrem um trecho de 146m até alcançar o canal adutor, que tem 636,00m. Ao final deste se encontra a câmara de carga, por onde as águas ingressam no conduto forçado. Este, com 2,45m de diâmetro tem uma bifurcação no seu final, assumindo 2 condutos de 1,60 de diâmetro cada braço. No conjunto, a conduto forçado tem 317,50m de comprimento, sendo 294 acima da bifurcação e 23,50 depois desta. Adentrando à casa de força, as águas chegam sob pressão às duas turbinas Francis com eixo horizontal. Depois de extrair seu potencial hidrelétrico, as águas são devolvidas ao curso natural do rio Jaguariaíva no nível normal de cota 615,80m. 

Na base da barragem uma galeria se destina à vazão ecológica, sem comportas de controle, com capacidade de verter 2,80m³/s. Esta vazão mantem o TVR, Trecho de Vazão Reduzida, que vai da Barragem até a Restituição, que tem cerca de 9.700m, com fluxo d’água contínuo. Em períodos de estiagem que reduzem a vazão do rio, a geração pode ser interrompida, mas a ecologia do rio sempre é mantida. Não há deplecionamento operacional.

O aproveitamento gera um volume energético médio de 9,24 MWmed firme. Os dois geradores captam a energia resultante da vazão turbinada de 16,10 m³/s em uma queda líquida de 86,00m. A rede de distribuição (transmissão), de 34,5 kV, com 17 Km, leva a energia gerada até a SE COPEL de Jaguariaíva, entregando-a ao Sistema Interligado Nacional. Estas informações e outras, constam nos desenhos 01, 02 e 03 deste site.

A primeira Licença de Operação não previu a exigência de que, em torno da represa fosse constituída uma área de preservação permanente – APP. Não obstante os proprietários lindeiros vêm respeitando esta faixa, reconhecendo que teriam que fazê-la de qualquer forma, às margens do rio Jaguariaíva. Sem usos econômicos desta faixa, a Natureza se recompôs formando uma APP com setores de cerradão (onde antes havia Cerrado, mas com a maior umidade do solo por conta da proximidade do reservatório, as condições edáficas se alteraram). Nas áreas de campos – solo rasos – a feição da APP se preservou como campo, ainda que alterado pelas pastagens plantadas.   Esta área protetora vem abrigando e alimentando a fauna nativa que por ali circula, conectada com as áreas protegidas do Parque Estadual do Cerrado, situado imediatamente a montante da área do reservatório.   

O Estado do Paraná possui em sua Constituição postulado que reconhece a importância de empreendimentos como este e recomenda declaradamente incentivar sua implantação. O Projeto Básico desta PCH esteve a cargo da RISCHBIETER, Engenharia, Indústria e Comércio Ltda, com sede em Gaspar, SC., concluído em dezembro de 2000, e suas obras tiveram curso em seguida, concluindo-as em dezembro de 2002, permitindo entrar em operação comercial em 27 de janeiro de 2003.